quinta-feira, 4 de junho de 2020

Concertos pelo centro histórico.

Houve uma época em que eu era assídua frequentadora do Theatro Municipal. Eu ia sempre a uns concertos que aconteciam ou durante a semana à noite, ou sábado de manhã. Mesmo não entendendo nada do tipo de música que é apresentada lá, eu gostava. Gostava simplesmente de estar lá, da arquitetura, de sair da zona norte.

A primeira vez que vi o Zé Celso em cena, foi lá. A Marilena Chauí tinha preparado uma programação em homenagem ao aniversário da cidade. Levei minha mãe. O Wisnik performou o Soneto do Olho do Cu, ao piano. Também já fui com minha mãe e meu pai, em outra ocasião.

Eu não devia ter nem meus vinte anos e conheci um cara uma vez, num concerto no Pátio do Colégio. Ele era bonito e mais velho. Lembro que fazia pós em entomologia e morava na rua Pires da Mota, meio Liberdade, meio Aclimação. Ele era louco pra me comer. Eu, não sei bem o que queria com ele. Nunca rolou nada, mas fomos ao Municipal juntos. Depois, ele desistiu.

Minha libido foi contida, por muito tempo. Devoradora de corpos e experiências, por outro lapso de tempo. Até que acontecimentos de todo tipo, incluindo aí problemas de saúde, soterraram com ela de uma vez. Se aquele bofe da Pires da Mota aparecesse na minha frente de novo, acho que mandaria ele cagar. Mas tenho saudades de bater perna em busca de um lugar pra ouvir música no centro.

                                                      Imagem: Instagram da autora.

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Largo São Francisco e arredores.

Em 1995, eu comecei a trabalhar num prédio na rua José Bonifácio, no calçadão próximo ao Largo São Francisco. Fiquei ali por alguns anos. Eu descia na estação Sé do metrô, percorria uma rua que tem pequenas joalherias que vendem coisas baratas de ouro, passava no Rei do Mate e tomava mate com leite e aveia, que gosto até hoje. Andava um pouquinho mais e estava no meu trabalho.

Do outro lado da rua, no calçadão, havia vários estabelecimentos que hoje, são apenas memória.  Deixaram de funcionar já faz algum tempo. Tinha uma joalheria chamada Conde de Monte Cristo. Uma vez, meu pai fez uma viagem a trabalho pra São Paulo e me trouxe um bracelete de prata comprado lá. Mais de dez anos depois, eu passaria boa parte dos meus dias bem próxima a loja. Eu sempre gostava de dar uma olhadinha na vitrine. Lembro de ter comprado um par de brincos de pérola e outro de ouro esmaltado com uma pintura que representava um par de joaninhas. Era um lugar simpático e acessível, sem ter cara de coisa roubada igual ao comércio de ouro da Praça da Sé.

Lembro de uma banca de frutas maravilhosa, que existia no local há muitos anos, antes mesmo que eu frequentasse. Gostava de pegar alguma coisinha por lá e ficar ouvindo as estórias do dono, um senhor grisalho de jaleco azul. Tudo vinha fresco diretamente do mercadão, que naquela época era bem diferente da macumba pra turista que é hoje.

Eu era habitué de uma loja do Café do Ponto - naqueles tempos eu não tinha o gosto tão apurado pra café e qualquer coisa que tomava, achava ótimo - que era de dois orientais, que viviam me paparicando. Certa vez meu pai apareceu do nada, vindo do interior pra resolver uns assuntos no INSS e deixei ele lá, se fartando com salgados bem gostosos, torta de limão, tomando café e contando aquele monte de causo que só ele e o Rolando Boldrin sabem contar. Ele adorou.

Tinha - e tem até hoje - o edifício Saldanha Marinho e ao menos uma vez por semana, havia assuntos de trabalho a resolver por lá. É um belíssimo prédio estilo Art Déco, mas naquela época, eu nem sabia direito o que é isso. Não ligava muito pra arquitetura, mas tinha percebido que era uma construção diferentona das demais. 

Essa semana, descobri que o Itamarati fechou. Era um restaurante de comida razoável, piso em ladrilho hidráulico e garçons de verdade - não aquele povo bonitinho, que estuda teatro e faz bico de garçon - de idade bastante avançada. Na verdade, devo ter ido lá umas três vezes no máximo, se tanto. Dois motivos me afugentavam: vivia abarrotado de advogados e juízes, era como se eu continuasse em ambiente de trabalho. O segundo motivo, talvez seja uma decorrência do primeiro: era caro pro meu bolso, na época. Mesmo assim, saber de seu fechamento, me deu uma tristeza infinita. Ele funcionava naquele endereço, desde 1946 e foi riscado do mapa com a pandemia.

                                                   Imagem: Instagram da autora.

Concertos pelo centro histórico.

Houve uma época em que eu era assídua frequentadora do Theatro Municipal. Eu ia sempre a uns concertos que aconteciam ou durante a semana à...